A inversão do ciclo político cobra (caro) seu preço
Lula enfrenta um cenário desfavorável em sua tentativa de reeleição. A economia está desacelerando, apesar da enorme quantidade de estímulos concedidos, e a inflação segue elevada, enquanto bilhões são gastos pelo governo para conter artificialmente os preços dos combustíveis. As pesquisas mostram a vantagem de Flávio Bolsonaro, que pode ser ainda maior se o viés observado do primeiro turno se repetir. Diante desse quadro, o governo acelerou o anúncio de uma série de medidas populistas, algumas já aprovadas pelo Congresso, outras ainda restritas a promessas. O custo não se limita ao gasto direto, que já é elevado, afetando também os juros e, com eles, famílias e empresas que enfrentam uma situação financeira frágil. Mais parecendo ser pautada pelo desespero, tal estratégia deixa uma pesada herança fiscal, sem garantir o resultado desejado nas urnas.
Boletim Semanal
Nosso produto regular: cobrimos os principais desenvolvimentos da semana — política monetária, política fiscal, atividade e cenário externo —, conforme a relevância para análise do cenário macroeconômico.
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19 | 10 | 2026
A desaceleração da economia e a inflação elevada pressionam a tentativa de reeleição de Lula. Novas medidas eleitorais ampliam o custo fiscal e os juros, sem garantir o resultado desejado nas urnas.
Lula enfrenta um cenário desfavorável em sua tentativa de reeleição. A economia está desacelerando, apesar da enorme quantidade de estímulos concedidos, e a inflação segue elevada, enquanto bilhões são gastos pelo governo para conter artificialmente os preços dos combustíveis. As pesquisas mostram a vantagem de Flávio Bolsonaro, que pode ser ainda maior se o viés observado do primeiro turno se repetir. Diante desse quadro, o governo acelerou o anúncio de uma série de medidas populistas, algumas já aprovadas pelo Congresso, outras ainda restritas a promessas. O custo não se limita ao gasto direto, que já é elevado, afetando também os juros e, com eles, famílias e empresas que enfrentam uma situação financeira frágil. Mais parecendo ser pautada pelo desespero, tal estratégia deixa uma pesada herança fiscal, sem garantir o resultado desejado nas urnas.
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13 | 10 | 2026
O otimismo do mercado após o primeiro turno depende de reformas em um eventual governo Flávio Bolsonaro. O ajuste fiscal é necessário, e ganhos de produtividade serão decisivos para sustentar o crescimento.
Flávio Bolsonaro é o favorito à Presidência e, se eleito, deve contar com respaldo no Congresso para aprovar reformas importantes. O mercado reagiu bem ao resultado, mas a manutenção desse otimismo depende de o novo governo aproveitar o conjunto de propostas já debatidas pela sociedade civil para colocar a economia em uma trajetória de crescimento sustentável. O ajuste fiscal é condição necessária para evitar uma crise, mas não suficiente para crescer, o que exigirá também ganhos de produtividade. O risco é que as mudanças sejam mais contidas ou mais lentas do que o desejável, já que ainda se sabe pouco sobre as medidas concretas que serão adotadas. Desta vez, não existe o “posto Ipiranga” – Paulo Guedes – com um projeto anteriormente desenhado, e por isso, a qualidade da equipe técnica e a receptividade às ideias que vêm de fora do governo serão decisivas para seu desempenho.
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28 | 09 | 2026
O cumprimento formal do arcabouço fiscal depende de metas menores, deduções maiores e medidas parafiscais. Déficit e dívida crescentes reforçam a necessidade de reformar as regras do gasto obrigatório.
As novas projeções do governo indicam que as regras do arcabouço fiscal devem ser cumpridas em 2026, com o auxílio de um contingenciamento. Todavia, nos últimos anos, esse cumprimento só foi possível porque o governo reduziu as metas, ampliou as deduções e recorreu a medidas parafiscais. Do lado das receitas, a frustração com a nova tributação de dividendos expõe os riscos de um ajuste baseado em aumento de impostos. Do lado das despesas, as folgas abertas pela revisão das projeções de benefícios previdenciários foram absorvidas por novos gastos. Embora o arcabouço caminhe para ser cumprido mais uma vez, os resultados dos últimos anos são desastrosos, como atestado pelo déficit primário e endividamento crescentes. Isto revela a fraqueza das regras fiscais no país e reforça a necessidade de reformas nas regras que governam a evolução do gasto obrigatório.
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21 | 09 | 2026
A atividade segue desacelerando apesar dos estímulos eleitorais. O endividamento e a deterioração financeira de famílias e empresas limitam a transmissão do crédito e elevam o risco de desaceleração mais intensa.
Os indicadores mais recentes de atividade atestam a persistência da desaceleração iniciada no segundo trimestre. A intensidade desse movimento surpreende diante do volume de estímulos à atividade em ano eleitoral. A perda da eficácia das novas medidas é explicada em parte pelo próprio acúmulo de impulso ao longo dos anos. A pressão sobre os juros e a deterioração das condições financeiras das famílias e empresas reduzem a capacidade de transmissão de programas de crédito. Esse cenário já é nítido entre as famílias e começa a aparecer de forma mais clara entre as empresas. Diante da piora de Lula nas pesquisas, o governo passou a lançar mão de novas medidas fiscais, mas os efeitos sobre a atividade devem permanecer contidos e há risco elevado de desaceleração mais acentuada devido ao alto endividamento no setor privado.
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08 | 09 | 2026
O pequeno superávit previsto no orçamento de 2027 depende de receitas otimistas e despesas subestimadas. A proposta permanece insuficiente para estabilizar a dívida pública.
A proposta de orçamento para 2027 projeta pequeno superávit primário de 0,1% do PIB. Além de ficar muito aquém do necessário para colocar a dívida em trajetória de estabilização, a estimativa do governo depende de um crescimento acelerado da arrecadação enquanto a atividade econômica arrefece. A projeção de receitas conta com o impulso dos impostos sobre consumo, que pode ou não se verificar, em linha com o definido na reforma tributária, mas os riscos ligados aos preços do petróleo seguem elevados. Pelo lado das despesas, há indícios fortes de subestimação dos gastos com previdência e, principalmente, BPC. No conjunto, a proposta orçamentária confirma a incapacidade do governo atual de atuar na direção de uma consolidação fiscal, apesar de promessas, vagas é verdade, neste sentido.
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24 | 08 | 2026
A dívida bruta deve atingir 83% do PIB no fim do ano. Sem mudanças na dinâmica das despesas obrigatórias, a política fiscal e a alta dos juros internacionais mantêm a pressão sobre o custo da dívida.
A dívida bruta deve chegar a 83% do PIB no final do ano, em grande parte devido aos gastos com juros. A taxa real de juros, todavia, é também resultado da política fiscal, que tem afetado o custo da dívida em vértices curtos e longos. O aumento recente dos juros longos internacionais agrava o problema, dada sua influência sobre as taxas domésticas. Muito embora o prêmio de risco medido pelo diferencial de juros esteja próximo de sua média histórica, vemos espaço para pressão adicional associada à ausência de mudanças na política fiscal. Sem uma mudança mais ampla da dinâmica de despesas obrigatórias, essa pressão sobre os juros não deverá arrefecer.
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17 | 08 | 2026
A atividade desacelerou mais do que o esperado apesar dos estímulos de crédito anunciados para o ano; o canal é limitado pela seleção dos bancos e pelo comprometimento de renda recorde das famílias, o que eleva riscos ao sistema financeiro sem impulsionar a atividade como pretendido.
A atividade desacelerou mais do que o antecipado apesar de várias medidas de estímulo anunciadas para este ano, concentradas em particular na concessão de crédito. Entendemos haver duas sortes de limitações. Em primeiro lugar, o canal do crédito depende de instituições que selecionam o tomador segundo seus próprios critérios, o que torna mais difícil a concessão, em especial dada a menor participação dos bancos públicos relativamente a experiências passadas. Além disso, o comprometimento de renda recorde restringe a capacidade das famílias de assumir novas dívidas. O estoque total segue desacelerando, mesmo enquanto se estimula a concessão em um ambiente de alto endividamento, sujeito a choques no mercado de trabalho. Dessa forma, elevam-se os riscos sobre o sistema financeiro sem que o governo consiga impulsionar a atividade como pretendia.
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10 | 08 | 2026
A queda do rendimento real no segundo trimestre ocorre com o desemprego ainda perto das mínimas, refletindo forte desaceleração dos salários nominais; sem aumento da ociosidade, o risco de reversão é relevante, sustentando nossa visão de convergência da inflação cada vez mais distante.
A queda do rendimento no segundo trimestre ocorre no contexto de uma taxa de desemprego ainda perto das mínimas históricas. Esse comportamento da renda real não foi decorrente apenas da inflação, que de fato se acelerou no segundo trimestre, mas sim de uma forte desaceleração dos salários nominais. Todavia, com o mercado de trabalho aquecido, essa dinâmica pode se mostrar passageira, como sugerem nossas estimativas da curva de Phillips para salários. Não identificamos um aumento da ociosidade dos fatores de produção capaz de dar suporte para uma desaceleração mais duradoura da renda. Nesse sentido, uma possível continuidade dos cortes da Selic pelo Banco Central sustenta nossa avaliação de um horizonte de convergência cada vez mais distante.
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27 | 07 | 2026
Os juros reais longos brasileiros operam em níveis elevados, em parte por fatores externos; sem sinais de consolidação fiscal e diante de risco de reeleição de Lula, vemos espaço para pressão adicional.
Os juros reais longos brasileiros operam em níveis elevados e parcela relevante da alta recente tem origem externa. Há uma relação estável de longo prazo entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos, que subiram bastante desde 2022. O diferencial de juros entre os dois países segue próximo da média desde 2009, apesar de um cenário fiscal bastante fragilizado, o que indica que o risco fiscal ainda não está inteiramente precificado. Sem sinais críveis de consolidação, e com uma probabilidade considerável de reeleição de Lula, portanto manutenção da atual política econômica, vemos espaço para pressão adicional sobre os juros longos.
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20 | 07 | 2026
Dados de alta frequência mostram desaceleração da atividade no segundo trimestre, ainda que com resiliência em alguns setores, refletindo o embate entre política monetária restritiva e estímulos fiscais e de crédito cujos efeitos plenos só devem aparecer no segundo semestre.
Os dados de alta frequência mostram desaceleração na atividade econômica no segundo trimestre, embora alguns setores se mantenham resilientes. Esse resultado é condizente com o cenário atual, que combina política monetária restritiva com estímulos fiscais, parafiscais e de crédito na direção oposta. Boa parte das medidas de estímulo só deve entrar em operação no segundo semestre, e seus efeitos ainda devem aparecer nos próximos dados. Na indústria, o resultado tem sido puxado pelo setor extrativo, enquanto a indústria de transformação em geral segue com desempenho modesto.
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06 | 07 | 2026
Análise dos principais candidatos à presidência: Lula e Flávio Bolsonaro lideram com alta rejeição, enquanto Caiado e Zema ganham espaço como alternativa à polarização.
Pesquisas de opinião sobre as preferências dos eleitores em relação aos candidatos à presidência continuam a refletir um cenário engessado entre os dois extremos — Lula e Flávio Bolsonaro —, com a vantagem oscilando conforme o teor das notícias. As taxas de rejeição de ambos permanecem elevadas, e quando Flávio é retirado do cenário, tanto Caiado quanto Zema aparecem com intenções de voto apenas ligeiramente abaixo, trazendo algum alento à hipótese de uma saída da polarização.
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29 | 06 | 2026
Os dados de inflação e mercado de trabalho são insuficientes para sustentar a continuidade dos cortes da Selic; o cenário base para agosto é de pausa no ciclo de afrouxamento.
Os dados de inflação e mercado de trabalho divulgados nas últimas semanas não trazem o alívio necessário para justificar a continuidade do ciclo de cortes da Selic. O núcleo de serviços segue resistente, e a reabertura das negociações salariais no varejo e na construção civil sugere pressão adicional sobre custos nos próximos meses. Diante desse quadro, nosso cenário base passa a incorporar uma pausa no afrouxamento monetário já na reunião de agosto, com o Copom preferindo acumular mais evidência antes de retomar os cortes.
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22 | 06 | 2026
A dívida pública segue em trajetória de alta e, mantida a política fiscal atual, não vemos sinais de reversão.
A dívida pública segue em trajetória de alta, e a manutenção da política fiscal atual não deixa margem para um cenário diferente. As últimas divulgações do Tesouro mostram resultado primário aquém do necessário para estabilizar a relação dívida/PIB, mesmo sob premissas relativamente otimistas de crescimento e juros. Sem uma revisão do arcabouço de gastos ou uma surpresa positiva relevante na arrecadação, projetamos a trajetória da dívida bruta continuando a se deteriorar ao longo dos próximos trimestres.