Carga Pesada
A atividade desacelerou mais do que o antecipado apesar de várias medidas de estímulo anunciadas para este ano, concentradas em particular na concessão de crédito. Entendemos haver duas sortes de limitações. Em primeiro lugar, o canal do crédito depende de instituições que selecionam o tomador segundo seus próprios critérios, o que torna mais difícil a concessão, em especial dada a menor participação dos bancos públicos relativamente a experiências passadas. Além disso, o comprometimento de renda recorde restringe a capacidade das famílias de assumir novas dívidas. O estoque total segue desacelerando, mesmo enquanto se estimula a concessão em um ambiente de alto endividamento, sujeito a choques no mercado de trabalho. Dessa forma, elevam-se os riscos sobre o sistema financeiro sem que o governo consiga impulsionar a atividade como pretendia.
Boletim Semanal
Nosso produto regular: cobrimos os principais desenvolvimentos da semana — política monetária, política fiscal, atividade e cenário externo —, conforme a relevância para análise do cenário macroeconômico.
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17 | 08 | 2026
A atividade desacelerou mais do que o esperado apesar dos estímulos de crédito anunciados para o ano; o canal é limitado pela seleção dos bancos e pelo comprometimento de renda recorde das famílias, o que eleva riscos ao sistema financeiro sem impulsionar a atividade como pretendido.
A atividade desacelerou mais do que o antecipado apesar de várias medidas de estímulo anunciadas para este ano, concentradas em particular na concessão de crédito. Entendemos haver duas sortes de limitações. Em primeiro lugar, o canal do crédito depende de instituições que selecionam o tomador segundo seus próprios critérios, o que torna mais difícil a concessão, em especial dada a menor participação dos bancos públicos relativamente a experiências passadas. Além disso, o comprometimento de renda recorde restringe a capacidade das famílias de assumir novas dívidas. O estoque total segue desacelerando, mesmo enquanto se estimula a concessão em um ambiente de alto endividamento, sujeito a choques no mercado de trabalho. Dessa forma, elevam-se os riscos sobre o sistema financeiro sem que o governo consiga impulsionar a atividade como pretendia.
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10 | 08 | 2026
A queda do rendimento real no segundo trimestre ocorre com o desemprego ainda perto das mínimas, refletindo forte desaceleração dos salários nominais; sem aumento da ociosidade, o risco de reversão é relevante, sustentando nossa visão de convergência da inflação cada vez mais distante.
A queda do rendimento no segundo trimestre ocorre no contexto de uma taxa de desemprego ainda perto das mínimas históricas. Esse comportamento da renda real não foi decorrente apenas da inflação, que de fato se acelerou no segundo trimestre, mas sim de uma forte desaceleração dos salários nominais. Todavia, com o mercado de trabalho aquecido, essa dinâmica pode se mostrar passageira, como sugerem nossas estimativas da curva de Phillips para salários. Não identificamos um aumento da ociosidade dos fatores de produção capaz de dar suporte para uma desaceleração mais duradoura da renda. Nesse sentido, uma possível continuidade dos cortes da Selic pelo Banco Central sustenta nossa avaliação de um horizonte de convergência cada vez mais distante.
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27 | 07 | 2026
Os juros reais longos brasileiros operam em níveis elevados, em parte por fatores externos; sem sinais de consolidação fiscal e diante de risco de reeleição de Lula, vemos espaço para pressão adicional.
Os juros reais longos brasileiros operam em níveis elevados e parcela relevante da alta recente tem origem externa. Há uma relação estável de longo prazo entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos, que subiram bastante desde 2022. O diferencial de juros entre os dois países segue próximo da média desde 2009, apesar de um cenário fiscal bastante fragilizado, o que indica que o risco fiscal ainda não está inteiramente precificado. Sem sinais críveis de consolidação, e com uma probabilidade considerável de reeleição de Lula, portanto manutenção da atual política econômica, vemos espaço para pressão adicional sobre os juros longos.
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20 | 07 | 2026
Dados de alta frequência mostram desaceleração da atividade no segundo trimestre, ainda que com resiliência em alguns setores, refletindo o embate entre política monetária restritiva e estímulos fiscais e de crédito cujos efeitos plenos só devem aparecer no segundo semestre.
Os dados de alta frequência mostram desaceleração na atividade econômica no segundo trimestre, embora alguns setores se mantenham resilientes. Esse resultado é condizente com o cenário atual, que combina política monetária restritiva com estímulos fiscais, parafiscais e de crédito na direção oposta. Boa parte das medidas de estímulo só deve entrar em operação no segundo semestre, e seus efeitos ainda devem aparecer nos próximos dados. Na indústria, o resultado tem sido puxado pelo setor extrativo, enquanto a indústria de transformação em geral segue com desempenho modesto.
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06 | 07 | 2026
Análise dos principais candidatos à presidência: Lula e Flávio Bolsonaro lideram com alta rejeição, enquanto Caiado e Zema ganham espaço como alternativa à polarização.
Pesquisas de opinião sobre as preferências dos eleitores em relação aos candidatos à presidência continuam a refletir um cenário engessado entre os dois extremos — Lula e Flávio Bolsonaro —, com a vantagem oscilando conforme o teor das notícias. As taxas de rejeição de ambos permanecem elevadas, e quando Flávio é retirado do cenário, tanto Caiado quanto Zema aparecem com intenções de voto apenas ligeiramente abaixo, trazendo algum alento à hipótese de uma saída da polarização.
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29 | 06 | 2026
Os dados de inflação e mercado de trabalho são insuficientes para sustentar a continuidade dos cortes da Selic; o cenário base para agosto é de pausa no ciclo de afrouxamento.
Os dados de inflação e mercado de trabalho divulgados nas últimas semanas não trazem o alívio necessário para justificar a continuidade do ciclo de cortes da Selic. O núcleo de serviços segue resistente, e a reabertura das negociações salariais no varejo e na construção civil sugere pressão adicional sobre custos nos próximos meses. Diante desse quadro, nosso cenário base passa a incorporar uma pausa no afrouxamento monetário já na reunião de agosto, com o Copom preferindo acumular mais evidência antes de retomar os cortes.
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22 | 06 | 2026
A dívida pública segue em trajetória de alta e, mantida a política fiscal atual, não vemos sinais de reversão.
A dívida pública segue em trajetória de alta, e a manutenção da política fiscal atual não deixa margem para um cenário diferente. As últimas divulgações do Tesouro mostram resultado primário aquém do necessário para estabilizar a relação dívida/PIB, mesmo sob premissas relativamente otimistas de crescimento e juros. Sem uma revisão do arcabouço de gastos ou uma surpresa positiva relevante na arrecadação, projetamos a trajetória da dívida bruta continuando a se deteriorar ao longo dos próximos trimestres.